Irã sob ataque – biodiversidade, animais domésticos e patrimônio natural em risco
Elidiomar Ribeiro Da-Silva
Conflitos armados produzem efeitos ambientais que frequentemente permanecem invisíveis no debate público, embora possam gerar efeitos duradouros sobre ecossistemas e comunidades biológicas. Este artigo discute riscos plausíveis que cenários de guerra representam para a fauna, com foco em ambientes naturais do Irã. A análise aborda tanto animais emblemáticos – como o leopardo-persa e o guepardo-asiático – quanto componentes menos visíveis da biodiversidade, incluindo insetos e organismos de água doce, fundamentais para processos ecológicos como polinização e ciclagem de nutrientes. O texto também incorpora perspectivas da zoologia cultural, examinando o papel simbólico de grandes felinos na tradição histórica e literária iraniana e discutindo representações culturais dos animais. Por fim, são analisados impactos negligenciados de conflitos armados sobre animais domésticos e de criação, destacando sua inserção em sistemas socioecológicos que conectam atividades humanas, paisagens rurais e conservação da natureza.
Palavras‑chave: conflitos armados; conservação da natureza; fauna silvestre; sistemas socioecológicos; zoologia cultural.
COMUNICAÇÃO
Draculita: os vampiros são latinos
Mariana Romanini Menezes; Alejandro R. Villa; Emma Andrea Gómez Mendoza & Víctor Manuel Caballero Chan
Na literatura europeia, as histórias de vampiros apareceram muito antes de se saber a existência de morcegos sugadores de sangue (subfamília Desmodontinae). Além disso, das cerca de 1.500 espécies de morcegos, apenas três (0,2%) realmente bebem sangue e elas são encontradas exclusivamente na América Latina. Então, como os vampiros foram associados aos morcegos sugadores de sangue nas histórias de vampiros? Este artigo examina a relação histórica entre os vampiros na literatura e os morcegos a eles ligados. Também analisamos o papel e o significado dos morcegos vampiros e de outros animais sugadores de sangue menos conhecidos.
Palavras‑chave: Desmodontinae; hematofagia; morcegos; Phyllostomidae.
Zoologia cultural dos Pokémon inspirados em mamíferos
Victor Gonçalves Rodrigues & Elidiomar Ribeiro Da-Silva
Resumo
A biologia cultural estuda como os seres vivos são usados pelo ser humano na religião, na economia e nas manifestações culturais como a artística e a midiática. Desde muito tempo, o ser humano tem fascínio por outras espécies animais. Diante dessa ligação entre animais e o ser humano, é compreensível que eles tenham sido fonte de inspiração para muitos personagens do mundo fictício. Os filmes, histórias em quadrinhos (HQs), séries e desenhos animados podem ser aproveitados nas salas de aula para que os alunos se interessem mais no estudo proposto. O uso desses elementos em sala de aula se mostra uma ferramenta didática muito útil. Em 1996 surgiam os Pokémon no Japão, uma criatura nova chamada de Poketto Monsuta da Nintendo. Pokémon foi lançado como jogo e depois vieram outros formatos devido ao grande sucesso. Os Pokémon possuem características que lembram alguns animais, plantas, fungos e até objetos, podendo relacioná-las a espécies do mundo real. Este trabalho tem como objetivo identificar Pokémon das três primeiras gerações inspirados em animais da classe Mammalia para que sejam utilizados no ensino de zoologia. ...
Palavras-chave: divulgação científica; ensino; Mammalia.
DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA
Scotland Yard oceânico: os detetives microscópicos da brigada termohalina
Daniela Yomaira Rojas Sánchez
Pense por um momento em tudo aquilo que você sabe que existe, mas nem sempre consegue ver: o ar, o calor ou os sabores. Temos certeza da existência dessas coisas porque, de alguma forma, as experimentamos com nossos sentidos. Ninguém duvida do sabor salgado da água do mar ou da sensação gelada da neve.
Mas nem tudo o que existe pode ser percebido diretamente pelos nossos sentidos. Muitas vezes, nossa capacidade de detecção é limitada, ...
Palavras‑chave: indicador biológico; seres microscópicos; tintinídeos.
O sol em maquete e o jogo do saber: recarregando o ensino de Química com a abordagem CTSA
Vitória do Lago Nascimento; Luzia Rodrigues dos Santos; Ingrid Coimbra da Silva; Nayara Vitoria Almeida Lira da Silva & Jefferson Ricardo Fraga Cardoso
Resumo
Foi abordada a necessidade de superar o modelo tradicional de ensino de Química, o qual, pautado na memorização, resulta em desmotivação e baixo engajamento discente. Utilizou-se a abordagem Ciência-Tecnologia-Sociedade-Ambiente (CTSA) para alinhar a prática pedagógica às diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), priorizando a interdisciplinaridade e o desenvolvimento de competências e habilidades. Foi explicado o potencial da gamificação, da modelagem e da leitura de artigos científicos para inovar o ensino de Química, utilizando o tema da energia solar como mediação CTSA, visando fomentar um aprendizado engajador e significativo. Propõe-se a estruturação do ensino em duas fases sequenciais. A fase inicial é dedicada à instigação da curiosidade e ao diagnóstico, com o uso de vídeos, simuladores e gamificação, como o Kahoot!, e à leitura de artigos científicos. A fase posterior direcionou-se a entender a aplicação prática, mediante a construção cooperativa de maquetes de sistemas fotovoltaicos, utilizando a infraestrutura da escola como modelo para materializar o conhecimento teórico e estimular a resolução de problemas. O artigo atingiu seus objetivos ao promover reflexões sobre a integração da energia solar, da abordagem CTSA e do tríplice estímulo metodológico (jogo, maquete e leitura científica) como um caminho eficaz para a superação da desmotivação no ensino de Química. Foi argumentado que as estratégias ativas aqui discutidas têm potencial de contribuir para o desenvolvimento de aspectos da formação dos estudantes, preparando-os para se tornarem cidadãos críticos e ativos em questões socioambientais.
Palavras-chave: energia solar; gamificação; modelagem.
COMUNICAÇÃO
Pauliceia em cores – As plantas floridas no maior arraial urbano do Brasil
Elidiomar Ribeiro Da-Silva; Tainá Boa-Nova & Luci Boa Nova Coelho
Resumo
As Festas Juninas constituem uma das mais importantes manifestações culturais brasileiras e assumem particular relevância na cidade de São Paulo, que abriga a maior população nordestina fora do Nordeste. Este trabalho aborda a presença de plantas floridas durante o inverno paulistano, destacando como a vegetação urbana também participa simbolicamente desse período festivo. São discutidas espécies ornamentais comuns na paisagem da cidade, suas florações sazonais e suas relações com processos históricos, ecológicos e culturais. Argumenta-se que a vegetação urbana integra a construção da paisagem cultural paulistana, articulando biodiversidade, memória e migração. As florações do inverno revelam uma dimensão frequentemente negligenciada do maior arraial urbano do Brasil.
Palavras-chave: arborização paulistana; biodiversidade urbana; botânica cultural; Festas Juninas.
COMUNICAÇÃO
Da videira ao vinho quente: botânica, história e cultura do São João
Angeliane Oliveira Santos & Elidiomar Ribeiro Da-Silva
Resumo
A videira (Vitis spp.) acompanha a história humana há milênios, associando-se à alimentação, à agricultura e a diferentes manifestações culturais. Originária da Eurásia, difundiu-se pelo mundo e desempenhou papel fundamental no desenvolvimento da vitivinicultura brasileira. Sob a perspectiva da botânica cultural, a uva e seus derivados transcendem seu valor econômico ao incorporarem significados históricos, religiosos e festivos. Entre esses derivados, destaca-se o vinho quente, cuja tradição, herdada e ressignificada no Brasil, integra as Festas Juninas como símbolo de acolhimento e celebração. O presente trabalho aborda as dimensões botânicas, históricas e culturais dessa bebida, evidenciando sua relevância no patrimônio festivo brasileiro.
Palavras-chave: etnobotânica; imigração; patrimônio cultural; vitivinicultura.
Aprendendo sobre o subfilo Crustacea nos filmes de animação da Disney
Arlindo Serpa-Filho & Erika da Silva Benício de Oliveira
Resumo
Crustáceos possuem mais de 38.000 espécies descritas, ocupando ambientes como mares e rios em sua maioria, e algumas espécies estão adaptadas à vida terrestre. Sua heterogeneidade morfológica é a maior entre os Arthropoda, apresentando: cefalotórax e abdome, apêndices birremes e carapaça quitinosa. A compreensão acerca do grupo em questão revela-se complexa e o presente estudo insere-se em um contexto de popularização científica, ao analisar a representação de crustáceos em filmes de animação da Disney/Pixar, estabelecendo uma comparação entre essas representações ficcionais e a carcinofauna existente no mundo real. O objetivo geral deste estudo é oferecer uma compreensão mais precisa dos personagens, em relação às “incoerências biológicas”, incentivando a aprendizagem sobre um relevante grupo de animais, os crustáceos, e mostrar de maneira cativante, simbólica e artisticamente integrada, à história destes personagens com a espécie humana. O estudo das cenas dos desenhos produziu uma análise sobre os aspectos taxonômicos, entre os 124 longas de animação. Cada personagem foi intitulado: a) protagonista b) antagonista, c) coadjuvante ou d) figurante. Averiguamos a presença de 47 personagens em 17 desenhos, contabilizando: (1) protagonista, (7) antagonistas, (14) coadjuvantes e (25) figurantes. Malacostraca/ordem Decapoda constituiu 77% dos personagens; a ordem Isopoda (tatuzinhos-de-jardim), 8%; e 2% para a ordem Euphausiacea (krill). As cracas (classe Thecostraca/ordem Balanomorpha) representaram 13% do total, no papel de composição de cenário. Imprecisões taxonômicas foram observadas na grande maioria dos desenhos, especialmente quanto a número de apêndices locomotores e antenas.
Palavras-chave: cinema; divulgação científica; ensino de zoologia.
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