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Como surgiu
 O Homo sapiens sempre foi fascinado pelas outras espécies da natureza. As pinturas rupestres são testemunhas desse antigo interesse, certamente ligado às necessidades básicas de sobrevivência. O tempo passou e o ser humano acabou, de certa forma, se excluindo do meio natural. Mas, talvez como forma compensatória, a admiração pelos outros habitantes do planeta permaneceu e pode ser vista no dia-a-dia, mesmo daqueles cidadãos urbanos, cuja vida está muito afastada do mundo natural. Não por outro motivo, a ida aos jardins zoológicos/ botânicos e museus de história natural é sempre um programa concorrido, e os canais por assinatura com animais - e natureza em geral - como temática central são abundantes e diversificados. Diante de tal cenário, é esperada uma presença maciça de elementos biológicos nas diferentes manifestações culturais. No caso dos animais, seu estudo constitui a chamada Zoologia Cultural. Embora nossa relação com os animais seja antiga, seu estudo acadêmico é relativamente recente, de modo que conceitos e definições de termos, ou mesmo linhas centrais de investigação, são ainda pouco definidos.
  Quando as referências culturais são relativas a plantas, tem-se a Botânica Cultural. Talvez seja menos badalada em relação à zoologia, mas tem também uma infindável  possibilidade de desdobramentos e utilizações, desde as ligadas à religiosidade até as de cunho mais claramente econômico. Princípios semelhantes norteiam as outras áreas das Ciências Biológicas, de modo que podemos ter a Ecologia Cultural, a Paleontologia Cultural e por aí vai. 

  Estudos relacionando a Ciência com a cultura apresentam desdobramentos que podem ser utilizados no ensino escolar (Ensino Médio e Fundamental) e na divulgação científica. Outra forma de aplicação é a utilização em termos de preservação ambiental, usando o princípio geral de que só se preserva aquilo que se conhece.

  Assim, visando oferecer um veículo de publicação para as incontáveis possibilidades de pesquisa envolvendo a ligação entre Biologia e Cultura, surge, agora, “A Bruxa”, revista online ligada ao Laboratório de Entomologia Urbana e Cultural da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Seu nome é inspirado na mariposa Ascalapha odorata (Linnaeus, 1758) (Lepidoptera: Erebidae), popularmente chamada de “bruxa”, um inseto que carrega uma tremenda carga cultural [ver nosso artigo de estreia, A Bruxa 1(1)]. Além disso, as bruxas, embora temidas e perseguidas segundo o imaginário popular, podem – e devem – ser também associadas à preservação do conhecimento, tema que merece ser irrestritamente valorizado.

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