Volume 6

    número 1, 2022  
número 2, 2022  
número 3, 2022  
número 4, 2022  
número 5, 2022  
número 6, 2022  
    especial 1, 2022  
 artigo monográfico 1, 2022  

A biodiversidade extinta em forma de brinquedo: o conhecimento paleontológico refletido em miniaturas e sua recepção no meio colecionista

Matheus Silva-Guimarães & Elidiomar Ribeiro Da-Silva


A Bruxa 6 (artigo monográfico 1): 1-109, 2022

Resumo geral

A Paleontologia é uma ciência bastante popular entre o público leigo e sua presença na cultura é disseminada, apresentando, portanto, grande potencial para a popularização científica. Essa popularidade, além de ser derivada do fascínio despertado pela ideia de imaginar a vida na Terra através de uma escala de tempo descomunal e da afinidade que a disciplina tem com a arte, está também associada à toda uma indústria de produtos ligados ao tema. As empresas Papo, Safari ltd., Collecta, Schleich e Bullyland estão entre os mais populares fabricantes de miniaturas de táxons pré-históricos, sendo conhecidas pela qualidade de seus modelos. Uma discussão comum dentro desse nicho do colecionismo é se as miniaturas refletem a visão mais atual e correta acerca dos táxons que buscam representar. De 2000 a 2020 observa-se um aumento no número de lançamentos mais corretos por essas empresas como um todo, sendo esse aumento mais expressivo para a Safari e a Collecta. Outras características que também interessam aos colecionadores são a semelhança com representações da cultura popular, nível de detalhamento, realismo e beleza. A preferência por qualquer uma dessas características não parece estar relacionada à ocupação ou ao nível de ensino dos colecionadores. A monografia encontra-se em forma de artigo, que é apresentado a seguir.

Palavras-chave: acurácia científica; detalhamento; colecionismo; miniatura; realismo.

Análise dos filmes Homem-Aranha (2002) e O espetacular Homem-Aranha (2012) em relação aos conceitos e à terminologia concernente à biotecnologia

Ana Cláudia Trece Rolin Nabor & Daniel Meneguello Limeira

A Bruxa 6(6): 92-107, 2022

Resumo

Durante o século XX, diversas ficções científicas começaram a abordar a ciência moderna, como as histórias em quadrinhos e suas adaptações no cinema. Sendo assim, este trabalho faz uma análise dos filmes Homem-Aranha (2002) e O espetacular Homem-Aranha (2012) em relação aos conceitos e a terminologia concernente à biotecnologia, abordando a criação dos personagens a partir de bases biotecnológicas, além de conceitos biológicos, técnicas de biologia molecular e relação ficcional existente nos filmes com a realidade acadêmica. A metodologia aplicada foi a de análise de conteúdo, desenvolvida por Bardin (1977), organizada em três fases: pré-análise, exploração do material e, por fim, tratamento dos resultados, sua inferência e interpretação. Os resultados mostram que diversos termos e técnicas voltados à biotecnologia foram esclarecidos e informações acerca de conceitos biológicos, atualizadas.

Palavras-chave: cinema; histórias em quadrinhos; personagem.

Questões científicas periféricas em Não olhe para cima: do bronteroc aos cientistas de vida comum

 

Elidiomar Ribeiro Da-Silva & Luci Boa Nova Coelho

A Bruxa 6(6): 108-121, 2022

Resumo

A associação entre Ciência e Cultura demonstra ser, cada vez mais, uma abordagem interessante para utilização no ensino, na divulgação científica e na preservação ambiental. Obras culturais de grande apelo popular, os filmes de sucesso podem ser, com os devidos esclarecimentos, muito úteis para se abordar aspectos acadêmicos formais. Sucesso de crítica e público, o filme Não Olhe Para Cima (Netflix, 2021) é analisado quanto às possibilidades de utilização para se falar de Ciência, especialmente no que se refere à Zoologia e à representação social dos cientistas.

Palavras-chave: cotidiano; filme; Netflix; popularização; Zoologia Cultural.

Quadrinhos, cinema e divulgação científica: a heroína Viúva Negra à luz da Ciência

Phillipe Knippel do Carmo Graça


A Bruxa 6(5): 79-91, 2022

Resumo

A personagem Viúva Negra foi minuciosamente analisada, com base nas histórias em quadrinhos (HQs) e filmes da Marvel, e comparada com os aspectos morfológicos, biológicos e comportamentais do gênero Latrodectus, pertencente à família de aranhas Theridiidae, popularmente conhecidas como viúva-negra. O uso de obras cinematográficas e HQs em sala de aula é cada vez mais popular, uma vez que são capazes de complementar o conteúdo ministrado em classe e/ou sensibilizar os alunos, além de favorecer o incentivo à leitura, transformando o aluno em sujeito crítico. No momento atual, a popularidade de heróis e vilões das HQs em diversas mídias se encontra em destaque e muitos desses podem ser analisados por um viés científico, sendo compatíveis no âmbito da taxonomia, zoologia, botânica e outras áreas. A personagem abordada no trabalho apresentado, além do nome, possui referências diretas às aranhas da família Theridiidae, como a sua letalidade e seu símbolo. Portanto, o gênero Latrodectus, ao qual pertence a aranha viúva-negra, favoreceu diretamente a concepção de uma das mais importantes personagens femininas da editora Marvel. A atividade de divulgação da Ciência pode ter como aliadas as HQs e a sétima arte, e, em se tratando da personagem pesquisada, contribuir com a disseminação do conhecimento acerca da aranha viúva-negra, transmitindo novos saberes e desmistificando outros.

Palavras-chave: aracnídeos; aracnologia; cultura pop; divulgação da Ciência; Zoologia Cultural.

Ilustração paleontológica para exposição em um museu de história natural

Gabriel Teofilo-Guedes Silva; Marcos Magalhães de Souza; Aline Marcele Ghilardi; Rodolfo Nogueira Ribeiro Soares &

Fernanda Aparecida Leonardi


A Bruxa 6(4): 70-78, 2022

Resumo

A ilustração de história natural constitui uma valiosa ferramenta para estudos paleontológicos, por permitir a reconstrução de organismos e ambientes pretéritos. No presente trabalho, foi realizada a reconstrução artístico-científica de †Mesosaurus tenuidens por meio da adaptação da metodologia do paleodesign ao desenho bidimensional. Foi gerada grande quantidade de estudos e uma imagem final, consistindo na reconstrução da região craniana de †M. tenuidens, com enfoque nos pormenores anatômicos da espécie. As inferências foram feitas a partir de observações de táxons viventes mais proximamente relacionados, como, por exemplo, quelônios, crocodilos e lagartos. Espera-se que o presente trabalho possa contribuir para o processo de ensino-aprendizagem no Museu de História Natural do IFSULDEMINAS - Campus Inconfidentes.

Palavras-chave: educação não formal; Formação Irati; fóssil; †Mesosauridae; Museologia; paleoarte.

Economia Solidária. Cada um produz o que sabe fazer melhor e troca com os outros

 

Ana Cecília Estellita Lins; Clara Rosa Cruz Gomes; Eraldo Medeiros Costa Neto & Leonardo Matheus Pereira Aguiar

 

A Bruxa 6(especial 1): 46p, 2022

   Criamos um estilo de vida que tem ocasionado sérios desequilíbrios ambientais e impactado diretamente na nossa saúde. Às vezes nos iludimos com a pretensa melhoria de qualidade de vida que o consumismo enganosamente apresenta, distorcendo nossa escala de necessidades pessoais e sociais.  Começamos a argumentar, por exemplo, que a doença é um estado natural e que, por sorte, os remédios alopáticos (produzidos em laboratórios) se fazem cada vez mais efetivos.

   Vivemos, principalmente no meio urbano, um estilo de vida cada vez mais voltado para as necessidades individuais, querendo proteger a família do que possa existir de ameaçador na própria sociedade que criamos. Chegamos a acreditar que é isso que evitará qualquer problema de ordem pessoal. Se questionamos a ordem vigente, é a partir de frustrações individuais. Isso sempre reflete uma visão de curtíssimo prazo.

   As abelhas nos ensinam o que significa um estilo de vida sustentável e em equilíbrio com os ciclos da natureza, não somente para suas próprias . . .

“Cão velho, quando late, dá conselho”: um estudo sobre os ditados populares à luz da Etnozoologia

 

Amanda dos Santos Felix da Silva; Eraldo Medeiros Costa Neto & Hozana de Barros Castro


A Bruxa 6(3): 57-69, 2022

Resumo

Os ditados populares são uma forma de manifestação cultural que perpassa gerações, transmitindo conhecimentos de forma literal e metafórica. Esses ditos são construídos a partir das experiências vividas por uma população e comumente fazem menções a animais. O presente estudo buscou identificar o uso de ditados populares zoologicamente orientados e verificar qual percepção a população tem com relação ao seu uso. Os dados foram obtidos mediante questionário eletrônico on-line. Um total de 109 questionários foi respondido, representando participantes de 15 estados mais o Distrito Federal, além de um morador da cidade de Boca Ratón, Estados Unidos. Todos os respondentes declararam utilizar os ditados zoopopulares em diferentes níveis, sendo que os respondentes com mais de 50 anos foram os que tiveram a maior média (12,4 de 25). Foram registrados 52 etnonomes de animais, sendo que os mamíferos foram dominantes na amostragem (n=21). Enquanto mais da metade dos participantes (n=86) considerou a utilização desses ditados como uma forma de preservação do patrimônio cultural, a maioria (n=48) declarou não concordar ou discordar de que os ditados também eram uma forma de preservação do patrimônio zoológico. Dessa forma, pode-se perceber uma carência de percepção da inter-relação que existe entre identidade cultural e biodiversidade.

Palavras-chave: adágios; biodiversidade; cultura popular; Etnobiologia; tradição.

Ararinhas, unidas, jamais serão extintas! Como o filme Rio pode ajudar em campanhas ambientais
 

Larissa Gago Serpa & Elidiomar Ribeiro Da-Silva

A Bruxa 6(2): 36-56, 2022

Resumo

O tráfico de animais silvestres é a terceira mais lucrativa atividade ilegal do planeta, perdendo apenas para o tráfico de drogas e o de armas. O filme RIO, cuja trama envolve tráfico de aves silvestres, é um objeto de estudo interessante para a Zoologia Cultural, ramo da Ciência que estuda a presença de elementos zoológicos nas diferentes manifestações da cultura. A utilização dos seus personagens é útil para a divulgação científica, em campanhas de preservação ambiental e também em sala de aula, podendo alertar o público e ensinar sobre os prejuízos causados por esse crime, promover a sensibilização em relação à biodiversidade brasileira e incentivar o engajamento em pleitos por ações relacionadas ao meio ambiente.

Palavras-chave: animação; educação ambiental; preservação; Zoologia Cultural.

Zoologia Cultural dos artrópodes do filme Coraline e o mundo secreto

Regina Esther Maciel Teixeira Prazeres de Assis; Elidiomar Ribeiro Da-Silva & Luci Boa Nova Coelho

A Bruxa 6(1): 1-27, 2022

Resumo

Produzida pela Laika Entertainment, a animação Coraline e o mundo secreto foi um sucesso de bilheteria da Universal Pictures, com a narrativa se desenvolvendo entre um mundo real e um mundo secreto. A personagem principal, Coraline, insatisfeita com a mudança de residência e separação dos seus amigos, busca novidades e emoções que a levam ao outro mundo. Esse mundo secreto é formado por uma grande teia, cuidadosamente tecida por uma aranha, reproduzindo o mundo real de Coraline. A partir da análise detalhada do filme, foram encontradas 30 representações inspiradas no filo Arthropoda. Dessas, Mantodea, Odonata, Coleoptera e Lepidoptera estão presentes como inspiração em maior número de representações. A maioria das representações de artrópodes é passível de avistamentos em cenas do nosso cotidiano. Através das observações colhidas e seus possíveis desdobramentos temáticos e simbólicos, este trabalho ressalta o quão interessante pode ser a associação entre Ciência e Cultura.

Palavras-chave: Cultura; entretenimento; mediação; Zoologia.

COMUNICAÇÃO

Pulando até a cabeça da lula: reflexões zoológicas sobre a série Round 6

 

Elidiomar Ribeiro Da-Silva; Luci Boa Nova Coelho & Tainá Boa Nova Ribeiro Silva

A Bruxa 6(1): 28-35, 2022

Como ocorre com muitas obras da cultura pop, a série sul-coreana Round 6 (ou Squid game, em inglês) pode ser usada como ponto de partida para se falar de Zoologia. A começar pelas lulas, que emprestam o nome ao jogo, apresentado no título original da série, semelhante aos nossos pega-pega e amarelinha, em que vence aquele que chegar, pulando em uma perna só, à cabeça de uma lula estilizada desenhada no chão. Outro jogo mostrado na série, a colmeia de açúcar, é evidentemente associado às abelhas (Hymenoptera: Apidae), embora essas não façam parte da atividade. No jogo da ponte, há menção ao efeito manada, algo comum em animais que vivem em bandos; há ainda uma interessante colaboração involuntária para se alcançar o objetivo, algo que, por meio de instinto e aprendizado, pode ser observado na natureza, tanto em mamíferos predadores quanto em insetos coloniais. Intuitivamente, os participantes dos jogos fazem alianças e se agrupam, podendo esses grupos ser democráticos ou ditatoriais, ambos os tipos com tensões afetivas e até sexuais, à semelhança do que ocorre com muitos primatas não-humanos (Primates). A seleta plateia dos jogos usa máscaras de animais, de certa forma lembrando as festividades pagãs da Europa. Estereótipos animais comuns também estão presentes na série: uma pessoa foi xingada de toupeira (Soricomorpha: Talpidae) e um gangster ostenta uma tatuagem de cobra (Squamata: Serpentes).

Palavras-chave: jogo da lula; Netflix; representações animais; Squid game.